Maria Rotheia

Maria Fortunata, que depois de casada adotou o sobrenome do marido, passando a se chamar Maria Rotheia, nasceu em 15 de fevereiro de 1891 em Congonhas do Campo, Estado de Minas Gerais.

Filha de Sérgio Antônio da Silva e Fortunata Cândida da Silva, católicos fervorosos, era criada em um ambiente místico e religioso em casa. Seu pai era médium curador (“benzedor”, inclusive de animais). Por influência da mãe, Maria era católica, mas não podia ir à missa, pois ao entrar em uma igreja sentia-se mal (problemas com a sua mediunidade), desfalecia e só voltava a si após os serviços religiosos.

Aos treze anos, desposou-se com o jovem Miguel, cujo casamento havia sido prometido desde que ela era crianças. O mancebo trabalhava próximo à fazenda onde residia a família de Maria e, ao vê-la, encantou-se a ponto de pedi-la em casamento ao pai futuramente.

A vida dos recém-casados era uma verdadeira aventura pelo interior de Minas, atendendo aos imperativos profissionais de Miguel. Português de nascimento, já era espírita quando veio para o Brasil e iniciou a mulher nos conhecimentos da Doutrina dos Espíritos. Tinha forte mediunidade curadora e por sua capacidade como doutrinador, calcada em sua moral muito sólida, também praticava a desobsessão.

Ambos difundiram o Espiritismo pelos lugares em que passaram, levavando consigo as consolações evangélicas, as bênçãos do passe e, inúmeras vezes, a cura. Miguel lia muito para Maria, que era analfabeta (o pai lhe havia proibido de estudar, para não poder escrever cartas ao namorado) e ela, aos poucos, se converteu ao Espiritismo. Dona de uma memória prodigiosa decorava textos e preces com grande facilidade. Quando residiram em Belo Horizonte, fundaram, com outro casal, o Centro Espírita Luz, Amor e Caridade.

Maria Rotheia teve 21 filhos – 11 mulheres e 10 homens – dos quais 13 desencarnaram ainda crianças. Cuidava da casa, dos filhos, costurava muito, fazia crochê e sempre encontrava tempo para atender a todos que a procuravam para ouvir as suas palavras consoladoras, ou para receberem o passe da “Maria-que-cura”, como era conhecida.

Em 1938, Miguel desencarnou vítima de acidente provocado por uma peça pesada que lhe caíra sobre a cabeça. Ficando viúva, Maria Rotheia fixou residência em Belo Horizonte, atuando sempre na seara espírita. Foi passista e trabalhou no salão de costuras da UNE e, também, no Centro Espírita Oriente, integrando equipe de vista a enfermos.

Possuía um carinho especial pelas mulheres que iam procurá-la, atormentadas por processos obsessivos. Através das vibrações carinhosas e do trabalho que lhes oferecia no salão de costuras, conseguia ajudá-las a reencontrar o equilíbrio necessário para a cura. Visitava os tuberculosos que ficavam internados no Sanatório Morro das Pedras, todos os domingos, levando-lhes sempre o conforto da prece.

Maria era frequentadora das reuniões do Chico Xavier quando ainda realizadas em Pedro Leopoldo. Teve a oportunidade de conviver com grandes trabalhadores da Doutrina, dentre eles, o professor Cícero Pereira, Martins Peralva, o professor Rubens Romanelli, que foi professor de moral cristã de sua filha Elza, os Baumgratz e os Ziviane. Era amiga da mãe da Irmã Ló, Dona Clotildes. Por essa amizade trouxe o genro Jair Soares para o Espiritismo, que frequentou o culto no seu lar. Também foi companheira de visita aos lares da mãe do médium Ênio Wendling, Maria Wendling. Ajudou a criar o Hospital Espírita André Luiz (HEAL), o Abrigo Jesus e a Casa Transitória.

Maria Rotheia desencarnou em 21 de dezembro de 1977, aos 86 anos, em decorrência de um tumor no intestino, descoberto cinco dias antes. Orientou os filhos para que não chorassem. “Quero alegria! Cantem hinos. Espíritos amigos vêm me buscar, inclusive o Miguel”, disse-lhes. Diante da família reunida, pediu que lhe dessem as mãos para orar. Fez, então, duas preces, a de Cáritas e a de Ismael.

Frequentemente, Maria Rothéia, em espírito, comunica-se com seus entes queridos através de algum familiar. No Plano Espiritual, continua no trabalho e na seara Espírita. É um dos espíritos mentores da Fraternidade Espírita Irmão Glacus (FEIG).

Fonte:

– Site da Fraternidade Espírita Irmão Glacus (FEIG)

© 2020 GFIL